segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Seria o Brasil um país habitado por pobres de espírito?

Não tem escola de qualidade para o filho trabalhador, não há hospitais nem saúde para o povo. O Brasil vive uma fase emergente, está passando de ruim para menos ruim. É absurdo dizer que o Brasil está bom. É absurdo dizer que a educação pública no Brasil é boa.

O pior de tudo isso é que sofremos por conta de quem somos. O brasileiro (ele mesmo) se atola na miséria e na decadência. É impressionante como sempre temos o poder de nos arruinar cada vez mais. É incrível como o brasileiro não tem amor à pátria. É incrível como insistimos em permanecer na lama.

Cidades sofrem com ondas cada vez maiores de violência. Uma guerra é travada contra traficantes e marginais (vítimas do descaso). É o país do futebol, o país do carnaval. Carreatas enormes quando o Flamengo ganha a Taça Guanabara. Manifestações isoladas a favor de causas nobres, como aprovação de projetos de lei a favor do próprio brasileiro.

Um país com desigualdades enormes tanto quanto seus problemas sociais, onde só quem se salva é o carinha que sabe jogar bem futebol. Ou o cara rico, que já nasce salvo. O resto é resto. O resto está entregue a sorte. O país emerge economicamente, mas retrocede socialmente. Programas de fofoca são campeões de audiência. Livrarias fecham por falta de público. Não que tenham poucas livrarias, mas o público do Tv Fama é bem maior do que o das bibliotecas.

Tudo isso conseqüência de nós mesmos. Do que fizemos com o nosso futuro. De como elegemos representantes e de como tratamos o nosso país. Lembre-se: quando você vira a cara para uma criança que te pede esmola, ela mesma que vai cometer latrocínio com a sua filha mais tarde, por falta de oportunidade (não que justifique). Pare de fingir que tá tudo bem. Não está, e precisa mudar.

Enquanto isso, pesquisas revelam que o brasileiro é um dos mais felizes do mundo. Índice de satisfação do brasileiro é altíssimo. O Lula tem pra lá de 80% de aprovação. O que seria, afinal, o povo brasileiro? Trabalhadores otimistas e que acreditam no futuro, ou simplesmente pobres de espírito que merecem o lugar onde estão?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Eu gosto de sentir

Sentimentos que eu não posso controlar exalam de mim. Que culpa eu tenho, se sempre você reaparece e me faz ficar assim?!

Pego-me mais e mais vezes com esse pensamento estúpido que não me leva a nada. Várias outras bocas querem tocar meus lábios, sem exagero; mas, apesar de ser meloso demais, o que eu quero é você. Nenhuma outra boca contorna a minha de forma tão perfeita quanto a sua. Eu realmente te dou preferência nos meus pensamentos. Primeiro você, depois as ‘outras’.

Você deve nem fazer idéia do que eu penso. São realmente coisas que eu prefiro deixar guardado nessa caixa preta que é o meu blog. Prefiro escrever aqui e passar o tempo do que desabafar com alguém. Sempre há repreensões, e eu não estou disposto a passar por isso, apesar de saber que tudo o que faço não passam de flashbacks infantis. Que seja infantil então. Benditas são as crianças.

Como aquele viciado que tenta se livrar da drogas, mas não consegue de forma alguma. O máximo que ele consegue é circular outros meios e conviver com outras pessoas pra passar um pouco o tempo. Mas logo, logo ele vai ficar sozinho e começar a pensar em sua amada. A comparação pode parecer estúpida, mas é bem válida.

Eu sei muito bem que você não tem nada haver com isso, e admito que isso tudo gira em torno só da minha cabeça. Mas que seja. Gira em torno de minha cabeça, e em torno de fios de cobre, agora. Escrevo pra exalar, pra abortar. Colocar pra fora todos esses pensamentos que me perseguem.

Seria bem mais fácil não sentir nada, mas não seria eu. Eu gosto de sentir.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A vida é um emaranhado de experiências, sejam elas ruins ou boas. Que sejam boas. As minhas são boas, até agora; mas são boas que passam por um intervalo um pouco longo de não-boas. rs
Passei por algumas experiências que pretendia, e por outras não pretendidas. Mas sempre o que há de melhor vem "do nada", sem que você espere.
Senti algumas vibrações boas e verdadeiras, outras ruins e verdadeiras; que por precaução eu pretendo esquecer, embora me lembre sempre. Pessoas felizes reunidas em um mesmo local me atrai. Acho que porque eu ostento uma idiota ilusão de que tudo vai transpor esses seres, e que eu possa adiquirir um pouco de sua felicidade.
Na vida tive experiências que desejei nunca acabar, e tive algumas a que me apeguei, confesso; mas tudo isso não faria muito sentido se não houvessem pessoas ao meu lado. Isso é fundamental.
Escrevo pra soltar, pra abortar um pouco do que penso e sinto. Estou feliz em fazer o que gosto. Estou feliz em estar com quem gosto e compartilhar experiências boas. Afinal, a vida não passa de um conjunto desorganizado de experiências...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Um sonho

Acordei em uma passagem perigosa. Daquelas passagens que atravessam um rio bastante largo. A passagem era feita de corda, com pedaços de madeira a fim de que pisássemos e que mantenhamos o equilíbrio. Olhei para baixo assustado, apertando ainda mais minhas mãos na corda. Era muito alto, a correnteza do rio era bela e assustadora.

O que eu tinha de fazer era atravessá-lo. Tinha de fazer isto e ir de encontro ao deserto na minha frente. Fui me segurando e andando devagar. Consegui atravessar o rio através da passarela. Havia um precipício. Se eu caísse daquela passarela, iria de encontro ao rio e provavelmente morreria.

A seguir havia uma estreita estrada de terra batida. Era tudo deserto, mas havia esse caminho. Segui sem saber onde estava. Apesar de tudo, eu sabia que não estava no Brasil. Após pouco tempo, vi uma moto. Acenei e pedi que o motorista parasse. Ele parou. Eu falei algo como “What this country?” na esperança de que ele me entendesse. O homem balançou a cabeça positivamente e respondeu: Argentina.

Ele não deu tempo de que eu dissesse “Yo soy Del Brazil”, e saiu em disparada com sua motocicleta, deixando uma névoa de poeira ao meu redor, e me fazendo tossis um pouco.

E então, acordei; pela segunda vez. Meu gato estava ao meu lado dormindo. E a minha cama estava fria. Tudo isso não passava de um sonho, que eu deveria escrever no fiosdecobre.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Contemplando um Animal ao crepúsculo

Estava tudo muito bonito. Havia um crepúsculo para ser visto. E como se não bastasse o sol onipotente pedindo desculpas e se retirando entre as montanhas, se perdendo no horizonte; ainda tinha um belo animal ao meu lado, o qual eu sempre que podia contemplava. Esse animal se chamava Amor. Digo: eu preferia chamá-la de Amor. Havia uma empatia entre eu, um ser humano, e aquele outro ser humano. Dois animais se amando ao ver o crepúsculo.

Estávamos em uma daquelas paisagens onde o verde predomina. Imagine uma casinha pequena, quadrada. À frente desta casa havia uma árvore de tamanho que a humilhava, e toda sua sombra servia para aliviar o calor da região. A árvore, em seu trabalho de aliviar o calor, fazia uma dupla linda com o riacho, que corria a alguns metros por trás da casa. A fronte da casa era muito simples, porém tornava-se bonita quando eu e meu Amor a iluminávamos. Havia uma porta e uma janela.

Era justamente na janela em que nos encontrávamos mais uma vez, como se fosse a primeira. O crepúsculo agia de uma forma que ela parecia não pensar, apesar de que, vez em quando, olhava-me com aqueles olhos lindos e contraía os músculos da face de modo a me mostrar aquele risinho leve e solto, pelo qual eu me apaixonada dois meses atrás.

Virei meu rosto, e assim pude ver as águas do riacho passando lentamente. As águas nada atrapalhavam a visão do fundo, água cristalina. E então pensei no quanto aquele momento era maravilhoso, e que nem por isso nos custou tanto. Para tanto, precisei encontrar o animal certo e o lugar certo.

O crepúsculo ainda estava bonito. Eu a olhei, ela estava com os lindos olhos no horizonte. Então, dei-lhe um beijo na face. Quando voltei meu rosto às montanhas, o Sol já havia se escondido. Por um momento pensei que havia acabado meu dia, que o dia não seria mais legal e harmonioso sem aquela cena; mas lembrei-me que no dia seguinte eu poderia contemplá-la mais e mais, ao amanhecer do dia.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Novelas Televisivas das oito

Quando se fala em novela, o que se pensa logo? Novela das oito. Sim, porque todas as outras são uns meros espelhos turvos daquela novela das oito (que poderia ser chamada “das nove”, né). Quem nunca curtiu, ainda que por uma semana, aquela novela tão pacata e sem graça, mas que todo mundo não perde um capítulo?

Já virou hábito. Assim como antigamente as famílias tinham o prazer de deleitar-se em meio romances, sejam eles românticos ou realistas (que mais podem ser chamados de machadianos. Realismo é machadiano). Hoje, essas mesmas pessoas e famílias, que num intervalo um pouco longo acompanharam as novelas via rádio; agora, só querem saber de suas tv’s. Mais precisamente, aguardam todo o dia por aquele momento. Eles sempre aprendem as vinhetas das novelas das oito. Você pode nunca ter ouvido música indiana, mas com certeza curtiu-as quando as ouviu em sua telenovela.

E os comentários? Ah, esses vão de mero deboche até fanatismo. Fanatismo esse que deixa-nos com ódio do anti-herói, o qual sempre atrapalha nosso fã, o protagonista. Protagonista esse que pode ser até bobo, imbecil, idiota e burro; mas que sempre vai ser amado e adorado aos olhos de seus telespectadores. Os segundos vibram e se emocionam sempre que têm a oportunidade. Esbaldam-se de felicidade quando seu vilão é desmascarado, façanha esta que só ocorre nos últimos capítulos; mas que, em vão, você adora aguardá-lo no LONGO intervalo existente entre o começo e o final.

E , por fim, costumo lembrar também de o quanto eu ficava triste, e deixava isso transparecer, quando a novela acabava. Acabava me deixando com saudade. Saudade de quando ficava eu e minha mãe assistindo aquilo e depois conversando sobre tudo que rolou. O Brasil inteiro conversa no outro dia sobre o que rola na novela das nove.

Faz tempo que eu não sento com a minha mãe pra assistir a novela das Oito.

Smells Like Teen Spirit - Cassia Eller - Rock In Rio 2001