Estava tudo muito bonito. Havia um crepúsculo para ser visto. E como se não bastasse o sol onipotente pedindo desculpas e se retirando entre as montanhas, se perdendo no horizonte; ainda tinha um belo animal ao meu lado, o qual eu sempre que podia contemplava. Esse animal se chamava Amor. Digo: eu preferia chamá-la de Amor. Havia uma empatia entre eu, um ser humano, e aquele outro ser humano. Dois animais se amando ao ver o crepúsculo.
Estávamos em uma daquelas paisagens onde o verde predomina. Imagine uma casinha pequena, quadrada. À frente desta casa havia uma árvore de tamanho que a humilhava, e toda sua sombra servia para aliviar o calor da região. A árvore, em seu trabalho de aliviar o calor, fazia uma dupla linda com o riacho, que corria a alguns metros por trás da casa. A fronte da casa era muito simples, porém tornava-se bonita quando eu e meu Amor a iluminávamos. Havia uma porta e uma janela.
Era justamente na janela em que nos encontrávamos mais uma vez, como se fosse a primeira. O crepúsculo agia de uma forma que ela parecia não pensar, apesar de que, vez em quando, olhava-me com aqueles olhos lindos e contraía os músculos da face de modo a me mostrar aquele risinho leve e solto, pelo qual eu me apaixonada dois meses atrás.
Virei meu rosto, e assim pude ver as águas do riacho passando lentamente. As águas nada atrapalhavam a visão do fundo, água cristalina. E então pensei no quanto aquele momento era maravilhoso, e que nem por isso nos custou tanto. Para tanto, precisei encontrar o animal certo e o lugar certo.
O crepúsculo ainda estava bonito. Eu a olhei, ela estava com os lindos olhos no horizonte. Então, dei-lhe um beijo na face. Quando voltei meu rosto às montanhas, o Sol já havia se escondido. Por um momento pensei que havia acabado meu dia, que o dia não seria mais legal e harmonioso sem aquela cena; mas lembrei-me que no dia seguinte eu poderia contemplá-la mais e mais, ao amanhecer do dia.
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