quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O meu vômito para vocês, aquilo que não consigo engolir.

Parando e observando toda essa obscenidade que me circula. Não sou moralista. Diria até que sou um tanto quanto obsceno, dentro dos limites, claro. Não aquela obscenidade ridícula, aquela que devemos nos envergonhar... A obscenidade fruto do próprio ridículo... O ridículo de existir... Sim, olhando ao redor tanto essa cabecinha pensante que carrego como qualquer outra que tenha tal capacidade verá que tudo que nos circula não passa de um monte de obscenidade. Quem dirá o que é certo? Quem dirá o que devo fazer? Nós criticamos tanto coisas das quais não concordamos, porém fazemos o mesmo... Lembro-me bem quando vi um desses ateus ridículos declarando “Eu particularmente acho que a religião é um mal”. Tão ridículo quanto esse ateu de merda, deparo-me com outro ignorante na tela da TV, uma pessoa chamada Datena que ganha dinheiro em cima de sensacionalismo “jornalístico”... Bem, essa pessoa afirma sem dúvidas que a descrença em deus é o fruto de todo mal.

Não quero falar de religião, minha cabeça anda muito ocupada para isso. Diria até que eu já passei daquela fase revolucionária no âmbito da religião. Finalmente entendi que o meu direito como ateu é o mesmo direito do muçulmano, do evangélico, ou seja lá o que seja. A tolerância é a melhor das virtudes, meu leitor.

Eu realmente canso todos os dias quando entro nos sites de relacionamentos e vejo as idiotices. Imbelicidades. Pequenas criaturas as quais a melhor obra produzida até hoje foi o grande cocô que acabou de ejetar. Não se preocupam com nada mais além da festa do Bota Bota ou seja lá o que for. Mentes que têm toda a oportunidade do mundo e não procuram crescer, preferem sim viver naquele mundinho de merda que, pra eles, é muito melhor do que o mundinho de merda que eu vivo ou o mundinho de merda que as pessoas que me leem vivem. Um mundinho de merda...

Olho para o lado, vejo seres humanos maltratando seres irracionais, abandonando-os, torturando-os. Meu pai chega e diz que acabou de chegar um animal no hospital veterinário que tinha sido espancado, com a mandíbula fraturada de tanta porrada. Gente que mata por diversão e que diz amar. Amor é uma palavra muito grande para tais pessoas... O fato é que a humanidade sempre foi e assim e sempre será. É a difícil compreensão disso que me faz pensar e escrever a respeito.

Enquanto fico aqui nas minhas reflexões existencialistas, não tem ninguém para me escutar ou talvez poucas pessoas realmente pensem como eu. São poucas as pessoas que ainda pensam, olham ao redor e percebam as obscenidades todas com as quais temos a obrigação de conviver. É difícil encarar a realidade dessa forma crua, é difícil encarar que tem um monte de filho da puta no mundo e que a filhadaputagem e a festa do Bota Bota parou toda a cidade. A cidade realmente para por causa da festa do Bota Bota. Incrível!! Há pouco tempo foi aprovada uma lei que destina as cotas das universidades federais para cotas sociais. Incrível também que os jovens tenham se mobilizado muito mais pela festa do Bota Bota que para qualquer tipo de aglomeração/barulho/protesto. Todo mundo leva na bunda caladinho, como aquela esposa que continua casada por acomodação e todos os dias se submete aos desejos sexuais do marido por convenção, porque tem medo de arriscar, porque tem medo de se expressar, prefere levar caladinha continuar saciando a libido do animal. Gente que não faz porra nenhuma diante do que vê. É incrível como todo mundo acha ridículo um protesto nas ruas, reunindo os estudantes todos que são contra essa merda. Eu sou particularmente a favor das cotas, mas quem não é vai ficar calado? Eu olho ao redor e realmente percebo que essa merda toda está errada a partir do momento que vejo essas pequenas cabeças de privadas mobilizando uma quantidade enorme de pessoas para irem a uma merda de uma festa do Bota Bota, enquanto ninguém se mobiliza para expressar a opinião e o descontentamento. Imaginem você se todos os estudantes que são contra essas medidas saíssem para protestar nas ruas. TODOS, sem exceção de um. TODOS. Peço que suas cabeças pensantes imaginem que lindo seria o espetáculo de dever cívico. Essa é a única forma de mostrar a opinião. ÚNICA. Facebook não adianta de nada. Você discorda? Reúna o máximo de pessoas possíveis e mostre seu descontentamento nas ruas, atrapalhando o trânsito, incomodando as pessoas acomodadas, fazendo BARULHO. Só assim alguém te escuta. Se você não fizer nada disso, estará certamente CONSENTINDO TUDO.

Mentes vazias e ociosas... Mentes que poderiam estar pensando...

Ninguém mais abre a boca para dizer o que acredita. Ninguém mais tem audácia de seguir seus ideais. Um monte de massa orgânica que não serve para nada além de seguir andando do jeito que vem andando desde que nasce, do jeito que foi condicionada a andar, do jeito que foi condicionada a ver o mundo. Encarar o mundo de uma forma superficial, materialista. Quantas pessoas você conhece que tem realmente uma opinião crítica, procura se informar e abre a boca e grita se preciso for para expressar seu ideal?? POUQUÍSSIMAS, porque nessa vidinha de chiqueiro, que todos estamos sendo treinados para aceitar, essas pessoas são taxadas de MALUCOS IDEALISTAS QUE NÃO TEM NOÇÃO DE REALIDADE. O fato é que o mundo precisa desse tipo de gente... O mundo precisa de um pouco mais de idealismo, talvez assim as coisas fossem para frente. Não falo somente de política, mas dos rumos que seguimos em geral... Está tudo muito obscuro e seguindo num rumo que nem sabemos onde tudo isso vai parar.

Desligo-me um pouco dessa realidade, leio poesias, escuto músicas... Desligo-me, sim, pois essa realidade dói... (o fato é que eu não consigo me desligar)...

Sendo assim, eu finjo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Não salvem a humanidade, mas façam o possível.


Grito, falo mal, ofendo. Eu não gosto de fazer isso, mas também afirmo com toda certeza que não falo nada mais que a verdade. Certas vezes precisamos levantar a voz e descer um pouco o nível para que possamos ser ouvidos. Porém, esse desnível nem de perto se compara com o discernimento da pessoa ou ser com a qual discuto. Existem pessoas que mal se comportam como tal, reduzindo-se à condição animalesca de expressar sua linguagem pobre de forma ofensiva e direta demais. Nem sempre precisamos ouvir tudo. Há sempre um melhor jeito de falar, mas para essas pessoas não, o melhor jeito é o que ofende e ridiculariza o segundo.

Esta criatura que vos escreve não consegue ficar calado diante de qualquer tipo de injustiça, seja por um marmanjo que entrou na fila dos idosos ou por uma pessoa que se refere à outra de forma injusta e nojenta. O corpo do ser que vos escreve, meio que por um instinto social ou sei lá o quê, move-se instantaneamente e solta uma rajada de justiças. Não sou um herói, mas também não faço parte da laia que “prefere não se meter em confusão dos outros”. Não sabem eles que, não se metendo, acaba por favorecer e apoiar toda injustiça que acaba de presenciar. Não salvem o mundo, mas façam o possível. Metam-se onde não foram chamados se puderem e punam a favor de quem acreditam estar certo. O arrependimento de uma ação inibida por medo é muito pior que a sensação de satisfação por uma intervenção bem feita.

A esperança de uma convivência mais harmoniosa entre as pessoas me consome. A esperança me consome de forma tão intensa que mal posso afirmar se vivo no planeta Terra ou no chamado "mundo da lua".

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Primeiros contatos com o novo mundo


Uma ausência repentina e contínua de sentimento me fez deixar de escrever. Talvez não considere importante o que tenho a falar ou simplesmente não tenha realmente nada a falar, o fato é que escrevo aqui novamente tirando poeira do blog. Limpando as teias de aranha que se mostram completamente desenvolvidas ao redor das paredes e esfregando esse chão sujo. Ao entrar novamente no blog, senti o ranger da porta como quem diz: “Você por aqui? Mas não havia me abandonado? Você escrevendo? Nossa, que surpresa”. É, amigos, é realmente muito duro para mim ter que ouvir isso de meu próprio blog, uma criação não tão intensa, mas um simples espaço para ler, pensar e escrever. Acho que de tanto pensar por aqui, ele adquiriu essa habilidade como um homem das cavernas que, ao longo do tempo e visto as necessidades, aprende a matar outros animais a fim de sobreviver. Deve ter sido isso que meu insano blog fez durante o tempo em que o deixei sem água, sem comida e sem letras. As letras, sem dúvidas, são a pior parte de tudo. Sabe o feijão-com-arroz? Pois sim, as letras são a “sustança” desse ser. Desse ser que transmite meus pensamentos.
O último prato de letras que servi por aqui foi justamente o que falei de minha “possível nova condição”. Para quem não leu e chega aqui pela primeira vez, tenho o orgulho de contar (adoro repetir) que tive a felicidade enorme de ser aprovado no processo seletivo, vulgo vestibular, da faculdade que sempre desejei. Nem digo sempre, pois teve uma época de minha vida em que estava meio indeciso, mais precisamente ano passado; mas contabilizando tudo que vivi, essa faculdade foi, sem dúvidas, a que mais me trouxe expectativas.
Hoje, na condição de estudante universitário me deparei com um mundo totalmente diferente. Sim, é realmente tudo muito diferente do que nós, meros estudantes de ensino médio, estamos acostumados. A começar pela organização que está sempre pensando em nós, deparamo-nos com um mundo selvagem no qual nós mesmos temos de sair do nosso conforto e ir buscar comida, leia-se conhecimento. É que durante anos sustentei uma vida de esforços, mas sempre amparado pelo Departamento de Serviços ou pelos professores de alguma forma. Nesse novo mundo que acabo de descobrir existe departamentos e professores também, e não digo que eles sejam ruins, mas constituem uma nova forma de encarar, uma forma mais livre e independente. É como aquela criança que sai debaixo da saia da mãe para finalmente viver sozinho. É tudo muito vasto, é realmente um novo mundo, novas visões, etc. Um sentimento muito bom de ter começado uma nova fase de minha vida permeia a minha cabeça. Cabeça esta que já está preocupado com as Xerox que terá de pagar. Sim, em uma semana de aula já arrumei tanta Xerox que você leitor não imagina.
Peso tudo isso e imagino se vocês estão realmente preocupados com o que estou falando ou se realmente se importam com minha vida. Bem, se você chegou até aqui, provavelmente tem algum interesse pela vida de universitário, ou está interessado em saber como foi esse meu primeiro contato com o “novo mundo”. O que posso lhes afirmar com certeza é que não é EXATAMENTE o que as pessoas do ensino médio pregam. Eu não diria que “é cada um por si”, pois, confesso, tenho recebido muita ajuda de alguns seres solidários que já estão relativamente avançados no curso e se dispõem a ajudar esse “novos bichos” ou “bichetes” , como eles mesmo nos apelidaram. Ajuda esta que pretendo repassar aos “novos bichos” do próximo semestre e assim por diante. Acredite, precisamos disso.
Tenho recebido diversas perguntas como Está gostando? É isso que quer mesmo? Bem, numa primeira semana não sei se posso dizer responder com absoluta certeza todas as perguntas , mas estou gostando sim. Sempre que me perguntam isso eu procuro ressaltar que é tudo muito diferente e que estou realmente me adaptando à nova realidade. É isso que estou fazendo, aos poucos...
A conversa está muito boa, mas não costumo ultrapassar meu limite de página nas postagens do blog. É estranho, mas eu sempre penso no leitor e no que ele pensa. Imagino o cara ficando cansado tendo que ler todo esse texto, mas outrora imagino um cara ativo e doido pra saber como é e qual a perspectiva de uma pessoa que acabou de entrar na universidade. Esse texto é feito para as pessoas que possuem essa tal curiosidade de saber como é e prever como vai se sentir. Talvez sirva até de apoio e inspiração, pois muitas pessoas (eu, pelo menos) sentem um estímulo a mais ao ler esse tipo de texto.
Os compromissos me esperam, entre eles meu novo hábito de ir à Xerox solicitar meus materiais. Agora que já tirei toda poeira desse blog e adornei tudo, alimentando-o das minhas humildes letras, sinto-me tranqüilo para sair de casa nessa manhã. RS
Prometo textos mais recentes e poemas... Podem me cobrar!!