Uma ausência repentina e contínua de sentimento me fez
deixar de escrever. Talvez não considere importante o que tenho a falar ou
simplesmente não tenha realmente nada a falar, o fato é que escrevo aqui novamente
tirando poeira do blog. Limpando as teias de aranha que se mostram
completamente desenvolvidas ao redor das paredes e esfregando esse chão sujo.
Ao entrar novamente no blog, senti o ranger da porta como quem diz: “Você por
aqui? Mas não havia me abandonado? Você escrevendo? Nossa, que surpresa”. É,
amigos, é realmente muito duro para mim ter que ouvir isso de meu próprio blog,
uma criação não tão intensa, mas um simples espaço para ler, pensar e escrever.
Acho que de tanto pensar por aqui, ele adquiriu essa habilidade como um homem
das cavernas que, ao longo do tempo e visto as necessidades, aprende a matar
outros animais a fim de sobreviver. Deve ter sido isso que meu insano blog fez
durante o tempo em que o deixei sem água, sem comida e sem letras. As letras,
sem dúvidas, são a pior parte de tudo. Sabe o feijão-com-arroz? Pois sim, as
letras são a “sustança” desse ser. Desse ser que transmite meus pensamentos.
O último prato de letras que servi por aqui foi justamente o
que falei de minha “possível nova condição”. Para quem não leu e chega aqui
pela primeira vez, tenho o orgulho de contar (adoro repetir) que tive a
felicidade enorme de ser aprovado no processo seletivo, vulgo vestibular, da
faculdade que sempre desejei. Nem digo sempre, pois teve uma época de minha
vida em que estava meio indeciso, mais precisamente ano passado; mas
contabilizando tudo que vivi, essa faculdade foi, sem dúvidas, a que mais me trouxe
expectativas.
Hoje, na condição de estudante universitário me deparei com
um mundo totalmente diferente. Sim, é realmente tudo muito diferente do que
nós, meros estudantes de ensino médio, estamos acostumados. A começar pela
organização que está sempre pensando em nós, deparamo-nos com um mundo selvagem
no qual nós mesmos temos de sair do nosso conforto e ir buscar comida, leia-se
conhecimento. É que durante anos sustentei uma vida de esforços, mas sempre
amparado pelo Departamento de Serviços ou pelos professores de alguma forma.
Nesse novo mundo que acabo de descobrir existe departamentos e professores
também, e não digo que eles sejam ruins, mas constituem uma nova forma de
encarar, uma forma mais livre e independente. É como aquela criança que sai
debaixo da saia da mãe para finalmente viver sozinho. É tudo muito vasto, é
realmente um novo mundo, novas visões, etc. Um sentimento muito bom de ter
começado uma nova fase de minha vida permeia a minha cabeça. Cabeça esta que já
está preocupado com as Xerox que terá de pagar. Sim, em uma semana de aula já
arrumei tanta Xerox que você leitor não imagina.
Peso tudo isso e imagino se vocês estão realmente
preocupados com o que estou falando ou se realmente se importam com minha vida.
Bem, se você chegou até aqui, provavelmente tem algum interesse pela vida de
universitário, ou está interessado em saber como foi esse meu primeiro contato
com o “novo mundo”. O que posso lhes afirmar com certeza é que não é EXATAMENTE
o que as pessoas do ensino médio pregam. Eu não diria que “é cada um por si”,
pois, confesso, tenho recebido muita ajuda de alguns seres solidários que já
estão relativamente avançados no curso e se dispõem a ajudar esse “novos bichos”
ou “bichetes” , como eles mesmo nos apelidaram. Ajuda esta que pretendo
repassar aos “novos bichos” do próximo semestre e assim por diante. Acredite,
precisamos disso.
Tenho recebido diversas perguntas como Está gostando? É isso
que quer mesmo? Bem, numa primeira semana não sei se posso dizer responder com
absoluta certeza todas as perguntas , mas estou gostando sim. Sempre que me
perguntam isso eu procuro ressaltar que é tudo muito diferente e que estou
realmente me adaptando à nova realidade. É isso que estou fazendo, aos
poucos...
A conversa está muito boa, mas não costumo ultrapassar meu
limite de página nas postagens do blog. É estranho, mas eu sempre penso no
leitor e no que ele pensa. Imagino o cara ficando cansado tendo que ler todo
esse texto, mas outrora imagino um cara ativo e doido pra saber como é e qual a
perspectiva de uma pessoa que acabou de entrar na universidade. Esse texto é
feito para as pessoas que possuem essa tal curiosidade de saber como é e prever
como vai se sentir. Talvez sirva até de apoio e inspiração, pois muitas pessoas
(eu, pelo menos) sentem um estímulo a mais ao ler esse tipo de texto.
Os compromissos me esperam, entre eles meu novo hábito de ir
à Xerox solicitar meus materiais. Agora que já tirei toda poeira desse blog e
adornei tudo, alimentando-o das minhas humildes letras, sinto-me tranqüilo para
sair de casa nessa manhã. RS
Prometo textos mais recentes e poemas... Podem me cobrar!!
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