sábado, 27 de novembro de 2010

I miss you - Parte6-FINAL

Sentia-me acordado, sentia o meu corpo, mas não conseguia abrir o olho. Podia ouvir umas vozes familiares, da minha mãe e do meu pai. Eu não estava mais no lugar de antes. Eu havia cumprido minha missão.

- Ela tinha gêmeos, ela tinha gêmeos!

No momento em que consegui falar, uma mulher magra veio a minha direção e me acalmou, disse que em breve eu receberia alta. Eu havia escapado realmente da morte. Mas eu não sabia se deveria acreditar naquilo tudo ou não.

Minha mãe me fazia perguntas, meu pai apenas olhava-me, com um sorriso no rosto, um sorriso de satisfação. Imagino quanta aflição eu teria causado a esses dois.

Depois que todos saíram, passavam apenas funcionários do hospital pela porta, sem entrar, apenas davam uma olhada para mim e continuavam seu caminho. Algumas macas e pacientes passavam por ali também. E foi ali que vi uma cena linda, talvez a mais forte de toda minha vida.

Uma mãe estava com um bebê no colo. Não era de muito tempo, a criança ainda tinha os olhinhos apertados e toda a face vermelha, típicos de recém-nascidos. Ao seu lado, havia um homem, que a mantinha segura com um abraço envolvendo todo seu corpo, era como se ele quisesse protegê-la mesmo. A mulher tinha um sorriso no rosto. De repente, virou os olhos para mim ao passar pela porta. Parou, fixou-os em mim, e chamou a atenção do marido, que a ouvia pacientemente.

Eu tinha certeza de quem era. Não havia confusão. Era a mulher que eu salvei. Com o seu marido, que certamente havia feito aquilo por pressão da Morte. O homem agora estava com outro semblante. O de um homem bom, carinhoso e atencioso com a esposa.

Os dois agora estavam me olhando. Olharam-me e depois abriram um enorme sorriso quase que simultaneamente, inclusive o bebê. Foi uma cena linda. Tudo que pude fazer foi retribuir o sorriso, e acenar-lhes com a mão. Até que eles seguissem seus caminhos.

I miss you - Parte5

Nivy havia falado em habilidades. Só agora eu podia entender, era fantástico, eu podia ouvir claramente o que as pessoas conversavam, o que falavam ao celular. Mas uma conversa em especial me intrigou, parecia um casal discutindo. Choros, palavrões, e tapas. Não era possível, eu podia ouvir também o barulhinho que a criança fazia na barriga da mulher. Ela estava grávida!

Fui seguindo o som, e me aproximando de um prédio. Queria voar, e foi isso que fiz, não sei exatamente como. Passava sobrevoando as janelas e me aproximando de onde vinha aquele barulho todo. Para entrar, eu não precisava abrir nada, só meu espírito estava presente ali, e ele só se materializaria se fosse realmente necessário.

Passei pela janela, e dei de cara com um homem alto, barbudo e gordo batendo em sua mulher. A cena era de horror.

Num ato de impulso, me posicionei entre o casal, de forma que ele parou de batê-la, estendeu as mãos no ar com a face virada para seus olhos, e ficou olhando. Depois falou

- O que eu to fazendo? Desculpa, meu amor, eu não queria fazer isso.

Lembrei-me mais uma vez de quando Nivy me falava de habilidades. Lembrei-me também das duas irmãs que fazem trabalhos opostos. Enquanto Nivy faz de tudo para salvar-nos, Morte faz questão de manipular-nos para que matemos a nós mesmos. Era de arrepiar.

A mulher estava sangrando. Olhava-me tristonha e quase conformada com o que haveria de acontecer. Então ela me agradeceu, e todo o sangue que existia ali desapareceu, ela conseguiu pôr-se de pé. Como aquilo era possível? Não posso imaginar. Mas tinha certeza que Deveria sair daquele local, pois havia uma criança esperando por mim lá fora, e que dependia de mim.

Mas eu não conseguia andar, um vento me prendia ao chão. Para onde eu tentava me movimentar, a ventania vinha de encontro ao meu corpo, que demonstrava fraqueza. O vento de encontro a mim vinha de todos os lados. O tapete que estava embaixo dos meus pés se batia, só o que o prendia ao chão era o peso do meu corpo. A mulher me olhava com um rosto de mãe, uma expressão que me trazia conforto. O homem já não estava presente ali. E então, de repente, só existia eu e os ventos, mais nada.

A mulher só poderia estar grávida de gêmeos, pois até ali eu só havia salvado uma pessoa, um menino. Eu não entendia muito bem o porquê de eu não continuar a missão. Mas deveria ser isso.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

I miss you - Parte4

Depois de salvar-nos, Nivy leva-nos ao mundo de onde viemos, e temos a chance viver novamente. Eu fiquei muito confuso com isso tudo, mas ainda assim, consegui ter uma breve visão em minha mente e quem sabe uma possibilidade de compreender isso tudo.

Estávamos quase chegando, eu não percebera o longo caminho que havia andado. Estava muito ocupado processando as mensagens telepáticas enviadas por Raquel.

Havia uma porta na extremidade, uma porta simples, de madeira velha. Eu me arriscaria, não tinha escolha, afinal. Então, eu mesmo pus a mão na maçaneta e abri-a. Do outro lado era tudo muito claro, pessoas estavam vestidas com roupas brancas, e assim que ultrapassei a porta, percebi que minha roupa se tornara branca também. Mal sabia eu o que esperava por mim.

Ao passar pela porta, pessoas vieram cumprimentar-me. Eu não as conhecia, nunca as tinha visto. Era tudo muito estranho

Raquel mirou aqueles lindos olhos em mim e falou:

- Este é o lugar para onde trazemos as pessoas que estiveram à beira de se entregar a minha irmã, Morte, e que por algum motivo especial, estão em minhas mãos. As pessoas aqui devem descer, ir de encontro ao mundo real. Ao chegarem lá, elas não serão vistas pelos humanos. Tudo que elas deverão fazer quando estiverem em missão é buscar pessoas que estão quase morrendo. Depois que vocês buscarem no mínimo três pessoas para o nosso lar, sua estadia aqui estará paga, e então vocês voltarão para seus corpos e suas vidas, digamos assim: normais.

- Quando posso começar meu trabalho?

- Agora mesmo. Se você olhar para as outras pessoas, perceberá que muitas falam línguas desconhecidas por você, mas outras falam a sua mesma língua. E há algumas pessoas aqui que são de seu país. São formadas caravanas para que um pequeno grupo se reúna e vá ao país de origem para salvar pessoas de lá. Você deu sorte por ser salvo por mim. Por causa disso, terá muito mais força na hora de resgatar os ‘quase-mortos’.

Fui andando. Eu simplesmente fingi que tudo aquilo era normal e continuei andando, procurando alguém que falasse português. Depois de certo tempo de procura, achei um grupo, eles já estavam prontos para sair. Então tive de realmente chamá-los a atenção para que pudessem sair de seu estado de concentração. Eles me ouviram e me incluíram no grupo com satisfação. Todos os integrantes eram mais velhos que eu, e até estranharam o fato de eu, tão novo, precisar estar ali.

Uma grande ventania chegou ao local. As outras pessoas olhavam nosso grupo sorrindo, com esperança de que voltássemos um grupo ainda maior.

De repente, estávamos sobrevoando uma grande cidade, parecia uma cidade brasileira. Tive sorte, logo de primeira, achei um moleque pequeno atravessando a rua com um carro em alta velocidade na sua direção. Não pensei duas vezes, me atirei no caminho e agarrei a criança de um modo que ela só sorriu, e depois foi contar o acontecido aos amigos. Mas era ignorado por todos, pois ninguém a podia ver, só eu. Fui até lá, expliquei-lhe tudo e o trouxe comigo. Fomos andando, andando, até chegarmos ao centro da cidade.

I miss you Parte3

Depois de longos e ótimos minutos sentados, ela estendeu a mão até mim e me fez o convite. O convite de ir, e nunca mais voltar. Um convite que eu não deveria aceitar, mas que devia, pois dessa forma ficaria com ela por uma eternidade, era isso que eu queria.

Aquela linda criatura, eu já não tinha tanta certeza de que era real, estendeu a mão até mim,e depois apontou a outra mão para o horizonte.Em algum lugar longe.Ela se referia a este lugar.Seria o nosso destino.

- Para onde você quer ir?

- Para lá

- Me explique, por favor!

- É um lugar que você tem de ir – ela falou. Desculpe se quiser voltar a sua via normal, mas daqui em diante preciso que você venha comigo, você não tem escolha.

É lógico que eu queria ir a qualquer lugar com aquela beldade, não questionava isso. Mas o que me impressionou foi seu tom de voz, ela parecia agressiva.Não agressiva,mas intimidadora,era como se realmente eu não tivesse escolha.Eu iria com ela,não queria fazer nada diferente disso,afinal,ela salvou minha vida,e pelo menos gratidão eu a devo.Como mostra de gratidão,lhe falei:

- Vamos! Seja onde for, estou pronto!

- Lá você cumprirá sua missão, e terá oportunidades que nunca pensou em ter.É um lugar lindo,você vai adorar.

Eu já estava adorando, era mágico ter sua presença a mim.

Raquel se prendeu a mim num abraço firme, suave e gostoso ao mesmo tempo. Então começou uma ventania ao nosso redor, a areia da praia estava no ar, e estava se formando um buraco no local em que nos encontrávamos. Subimos, então vimos aquela linda praia de cima, num plano bem mais bonito. Sob nossos pés havia uma superfície de pedra,como se fosse uma ponte,que fazia um caminho até o lugar que ela apontou, muito longe.

- Vamos andando – disse ela.

Eu queria contestá-la, pois aquele caminho era algo interminável, mas não me contive com o seu sorriso e me contentei em apenas olhá-la.

Fomos andando, andando... Até que ela resolveu falar:

- O lugar aonde iremos é lindo,mágico.Você vai adorar!Não tem nada de parecido com essa realidade que os prende, e que limitam vossas habilidades, e tudo mais. Lá você estará livre, estará livre para voar, para correr,você fará o que quiser.

Senti-me à vontade e falei:

- Como é? Primeiro você me salva da morte, depois me traz a uma praia, cá estou eu. Estamos andando sobre uma ponte aérea e você me diz agora que vamos a outro mundo? Desculpe, eu estou encantado com você, mas isso é demais para minha cabeça.

Eu não acreditava que havia falado daquele jeito com ela, não podia ser tão rude. Antes que eu abrisse a boca para pedir-lhe desculpas,ela colocou a mão sobre meus lábios e falou:

- Você estava morrendo. Eu te salvei da Morte. Sei que é muito difícil de entender, mas a Morte é minha irmã. Somos filhas da Vida, e vivemos em missões opostas.

- Desculpe, desculpe mesmo. Isso vai de encontro a tudo que eu acreditei até hoje.

- É exatamente por isso que é difícil para você entender. Você humanos sempre tendem a se prender a pensamentos, crenças, religiões, e esquecem que novas possibilidades existem. Prefiro me comunicar por telepatia com você, é mais rápido e economiza fôlego.

Foi me passando informações, informações estas que chegavam cada vez mais rápidas. A conexão entre a gente melhorou ou algo do tipo. Ela me dizia coisas absurdas para o meu conceito. Quem constrói, organiza e orienta todo nosso futuro é a Vida. Esta tem duas filhas, Morte e ‘Raquel’. Raquel foi um nome que ela usou para facilitar a lembrança, era mais fácil do que Nivy, pelo menos na opinião dela. Na minha, tanto faz, eu nunca me esqueceria daquele ser mesmo. O trabalho de Morte na vida das pessoas é de levá-las ao mundo imaterial. A missão de Nivy, ou Raquel por aqui é diferente, justamente o oposto. Ela deve salvar-nos da Morte, ou seja, uma irmã luta com a outra pelo nosso destino. Depois de salvar-nos, Nivy leva-nos ao mundo de onde viemos, e temos a chance viver novamente. Eu fiquei muito confuso com isso tudo, mas ainda assim, consegui ter uma breve visão em minha mente e quem sabe uma possibilidade de compreender isso tudo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

I miss you - Parte2

Eu não sabia onde ela me levaria, mas estava certo de que iria a qualquer lugar com aquela companhia. Não era difícil de decifrá-la, a bondade estava espalhada no seu sorriso, que brilhava tanto, mas tanto, que até desviava-o. E foi assim, dessa forma, que ela me levou até o seu Fusca vermelho-sangue. Eu só podia mirá-la, e só isso que queria fazer também, não precisava fazer outra coisa.

Ao chegar ao carro, me sentou no banco da frente, ao lado do seu. Dirigiu meia hora calada, sem fazer um barulho sequer, a não ser o de um sorriso aberto que soltava de vez em quando sem deixar de olhar pra frente.

Eu também não falava nada, mas tinha vontade, então disse:

- Gostei de você. Como se chama?

- Raquel.

- Nome lindo esse seu. O que você faz?

- Salvo pessoas prestes a morrer. Às vezes há tentativas em vão, mas muitas vezes consigo, como agora.

- Obrigado...

E então passamos um longo tempo calados. Agora, de vez em quando, ela olhava-me. Virava o rosto completamente e esqueci-me da estrada, fixava seus lindos olhos em mim. E eu fixava os meus nos seus.

Já estava amanhecendo, eu podia ver uma praia... Era pra lá que íamos. ”Que bom”, pensei. Assim poderíamos conversar. Eu queria muito conhecê-la, havia certa atração de mim pra ela. E talvez, dela pra mim.

Ela parou o carro próximo a areia, e então saímos. Eu já estava bem melhor, conseguia andar e respirar sem dificuldades, conseguia até falar. Ela foi em direção a uma pedra que havia no local, sentou-se sobre, e começou a olhar o mar. O sol brilhava majestosamente, de uma forma que me intimidava.

Pensei que fossemos conversar, mas não, nós não conversamos. Nós nos olhamos, não era preciso palavras para se comunicar com esse ser. Era incrível, aquilo não podia ser real. Eu, sempre que queria fazer uma pergunta, bastava pensar. E então em poucos segundos vinha a resposta via ‘pensamento’. Incrível! Telepatia ou algo do tipo.

Depois de longos e ótimos minutos sentados, ela estendeu a mão até mim e me fez o convite. O convite de ir, e nunca mais voltar. Um convite que eu não deveria aceitar, mas que devia, pois dessa forma ficaria com ela por uma eternidade, era isso que eu queria.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

I miss you- Parte1

Meus pés já estavam cansados de tantos pulos e pisos. A noite gritava, já não agüentava mais aquela pressão em meus ouvidos. A batida, além de frenética, me alucinava cada vez mais. Foi no meio disso tudo que caí.Estava tudo muito brilhante,e as pessoas olhavam pra baixo,me encaravam e seguiam seu destino rumo ao frenesi.Tentava me levantar,me erguer,ainda haviam reservas energéticas ali,eu sabia.De nada adiantou,todo aquele barulho,e toda aquelas pessoas só faziam me atrapalhar.Foi no meio disso tudo que eu apaguei.

Quando acordei,estava voando,via aquilo tudo de cima, não podia acreditar no que havia acontecido. Eu temia tanto por aquilo. Havia alternativas, óbvio, mas eu estava quase certo de que estava morto ,se não, estava quase lá .Havia morrido durante uma festa,ninguém me ajudou.De onde eu estava, podia ver meu corpo,e as pessoas que passavam ao redor,e só olhavam;alguns até chutavam o cadáver com cara de deboche.Eu não conseguia falar,mas tentava imaginar em que eu havia me metido.Pensava em tudo que passei,e começou a vir um filme em minha cabeça.

No início, vieram imagens do parto, incrível, eu consegui assistir ao meu parto num momento de morte. Logo depois, minhas imagens de quando era criança, adolescente.Conseguia assistir a todos os momentos de minha vida: meu primeiro beijo,minha primeira transa,tudo isso passava em filme,um filme que eu via de cima,e que eu era produtor.Um filme que eu queria abandonar,por mais que custasse muito,eu queria minha vida de volta.De repente,escuto batidas,batidas à porta.Era a porta do meu apartamento,amigos e bebidas pra valer,a galera já estava pronta.Eu podia me assistir rindo,bebendo e cumprimentando o pessoal.Mal sabia eu que aquilo seria uma prévia do que estou sentindo agora.Saímos,chegamos,bebemos,nos drogamos,e na hora mais exata de todas,eu caí,caí pra nunca mais levantar-me.

A minha imagem caído parou de tal forma que eu tentava sair de minha posição flutuante nos ares,e ir até lá me salvar,eu precisava de alguma ação.Uma mulher me olhou,não para meu cadáver caído no chão,mas para cima mesmo,e me viu a olhando com uma cara de súplica.Minha vida dependia dela.Não foi preciso mais nada depois disso,ela entendeu o que eu quis dizer,e imediatamente foi ao meu encontro e me reanimou.Salvou a minha vida.Foi aí que tudo apagou e eu voltei ao meu corpo.A sensação foi louca demais para que eu possa compreender.

Só o que podia ver era uma mulher linda, mais parecia uma deusa. Deusa grega, daquelas que merecem escultura feita a mármore, e esculpida por Michelangelo. Seus cabelos eram de um castanho claro.Não era loira,era quase-loira.Seus olhos eram de um verde penetrante,que não me permitia olhá-los por mais de dois segundos.Sua boca era desenhada a mão,e muito bem desenhada,com ótimos contornos e lábios convidativos.

Não sabia o que falar. Pois quem falou não fui eu,foi ela:

- Vou te tirar daqui.

domingo, 21 de novembro de 2010

Não me chame de amor

*Ele: Queria falar com você
Ela: Oi,amor
*Ele: Não me chame de amor
Ela: Por que isso?
*Ele: Desgraçada
Ela: Eu vou embora
*Ele: Você me traiu
Ela: Do que você tá falando?
*Ele: Com meu melhor amigo
Ela: (choro)
*Ele: Não chore,meu amor
Ela: Não me chame de amor
*Ele: (choro)