Meus pés já estavam cansados de tantos pulos e pisos. A noite gritava, já não agüentava mais aquela pressão em meus ouvidos. A batida, além de frenética, me alucinava cada vez mais. Foi no meio disso tudo que caí.Estava tudo muito brilhante,e as pessoas olhavam pra baixo,me encaravam e seguiam seu destino rumo ao frenesi.Tentava me levantar,me erguer,ainda haviam reservas energéticas ali,eu sabia.De nada adiantou,todo aquele barulho,e toda aquelas pessoas só faziam me atrapalhar.Foi no meio disso tudo que eu apaguei.
Quando acordei,estava voando,via aquilo tudo de cima, não podia acreditar no que havia acontecido. Eu temia tanto por aquilo. Havia alternativas, óbvio, mas eu estava quase certo de que estava morto ,se não, estava quase lá .Havia morrido durante uma festa,ninguém me ajudou.De onde eu estava, podia ver meu corpo,e as pessoas que passavam ao redor,e só olhavam;alguns até chutavam o cadáver com cara de deboche.Eu não conseguia falar,mas tentava imaginar em que eu havia me metido.Pensava em tudo que passei,e começou a vir um filme em minha cabeça.
No início, vieram imagens do parto, incrível, eu consegui assistir ao meu parto num momento de morte. Logo depois, minhas imagens de quando era criança, adolescente.Conseguia assistir a todos os momentos de minha vida: meu primeiro beijo,minha primeira transa,tudo isso passava em filme,um filme que eu via de cima,e que eu era produtor.Um filme que eu queria abandonar,por mais que custasse muito,eu queria minha vida de volta.De repente,escuto batidas,batidas à porta.Era a porta do meu apartamento,amigos e bebidas pra valer,a galera já estava pronta.Eu podia me assistir rindo,bebendo e cumprimentando o pessoal.Mal sabia eu que aquilo seria uma prévia do que estou sentindo agora.Saímos,chegamos,bebemos,nos drogamos,e na hora mais exata de todas,eu caí,caí pra nunca mais levantar-me.
A minha imagem caído parou de tal forma que eu tentava sair de minha posição flutuante nos ares,e ir até lá me salvar,eu precisava de alguma ação.Uma mulher me olhou,não para meu cadáver caído no chão,mas para cima mesmo,e me viu a olhando com uma cara de súplica.Minha vida dependia dela.Não foi preciso mais nada depois disso,ela entendeu o que eu quis dizer,e imediatamente foi ao meu encontro e me reanimou.Salvou a minha vida.Foi aí que tudo apagou e eu voltei ao meu corpo.A sensação foi louca demais para que eu possa compreender.
Só o que podia ver era uma mulher linda, mais parecia uma deusa. Deusa grega, daquelas que merecem escultura feita a mármore, e esculpida por Michelangelo. Seus cabelos eram de um castanho claro.Não era loira,era quase-loira.Seus olhos eram de um verde penetrante,que não me permitia olhá-los por mais de dois segundos.Sua boca era desenhada a mão,e muito bem desenhada,com ótimos contornos e lábios convidativos.
Não sabia o que falar. Pois quem falou não fui eu,foi ela:
- Vou te tirar daqui.
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