segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Acordei meio macambúzio

Acordei meio triste, macambúzio. Talvez fosse a falta do café, talvez de uma presença, de um olhar mais próximo. Tenho este olhar em períodos esparsos, mas o tenho. Isso impulsionou meu humor e me fez levantar para o café, este sim propulsor matinal essencial. Ando com o livro, que antes era físico e agora é digital. Penso no futuro dos livros impressos. Pensamentos vagos, nada muito profundo. Penso um pouco na vida. Sinto-me triste novamente, como que tomado por uma melancolia repentina, uma ressaca moral sem álcool. “Não é tão difícil assim, comecemos o dia então”.

Leio a história de Eugênio, ou Genoca, personagem de Érico Veríssimo angustiado com a vida e o meio que o cerca. Gosto dessa leitura. Termino o café, começo o dia de verdade.
Com o computador em mãos, escrevo, leio, produzo, envio, recebo, dou bom dia, dou sinal de vida nas redes, pesquiso. Tenho o mundo em mãos. E que facilidade!!! Três horas desde que acordei; agora pego a gramática. Companheira para todas as horas e à qual devo meu salário. Ensina-me a ensinar. O resto é postura.


Não me demoro. John Mayer no player. Livro em mãos. Mais tarde viajo 90 quilômetros. 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Um cortiço de pensamentos.

A besteira feita e a vontade de consertar são uma mera convenção cerebral para enganar a consciência. A consciência pesada nos faz sentir remorso e o arrependimento vem justamente do que poderia ter sido feito e não se concretizou. Decisões rápidas e de forte impacto giram em torno do núcleo central das iniciativas. Iniciativas localizadas não no início, mas no meio. A cabeça confusa e uma vontade de voltar atrás. A subjetividade entre os dedos e a pergunta: Estou me expressando bem? Que seja. Nem sei. O que é?
O fato é que os desejos não podem simplesmente contornar o traço de subjetividade que temos. Os desejos, por mais fortes e impulsionadores que possam ser, não podem passar por cima dos princípios. Os orgulhos que guardamos nos travam e esse obstáculo é um importante passo em nossa vida. Às vezes a parada é um grande passo a frente. Depende de como sua consciência está. A minha está limpa. A sua? Letras embaralhadas e a certeza de um xingamento: O que esse idiota está escrevendo? Que seja. Nem sei. O que é?
Meu corpo pede por mais; meu orgulho me diz “sei lá”. O corpo é bom e fiel às vezes, é uma pena que não possamos confiar sempre e sempre nele. Se entregar à carne é uma atitude audaciosa e requer muita loucura. Sou louco. Não sei se tanto. O orgulho diz sei lá. Ah, mas esse orgulho está sempre de birra, às vezes nos faz perder tanta coisa. Porém, como deixá-lo de lado se ele já me tirou de tanta emboscada? As emboscadas são como testes; sair com a consciência limpa é a grande vitória. O orgulho moderado é uma arma fundamental nesse combate.

Voltando a escrever as coisas bestas do dia a dia, com menos poesia

Já vou começar dizendo que perdi meu último texto. Guardar memórias é sempre bom e perde-las nem tanto. Fico pensando: que estilo esse, hem? Eu poderia muito bem escrever algo mais leve, que tivesse vontade de ler. Vou tentar me expressar assim, então, porque Machado de Assis e os outros se expressaram da forma que o público de sua época entendia.

Se expor e publicar tudo isso é complicado, ainda receio se devo fazê-lo. Queria saber escrever em inglês. Publicava tudo. Escrever só para si é uma merda, mas expor e ter de encarar tudo e todos é coisa tão ruim quanto. Sim, porque agora sou professor. Pontuo aqui para falar disso no próximo parágrafo.

Ser professor. Significa que, de alguma forma, sua vida toda passou a ser um centro das atenções. Você não pode mais publicar nada sem que haja algum tipo de comentário estúpido. “Professor, gosta de cerveja com pastel, né?”. Já me perguntaram isso uma vez por conta de uma foto que postei no Instagram. “Professor, você vota na Dilma?”, já me perguntaram isso porque vivo criticando o atual governo. Blá, blá, blá... Parece que o estudante vive bisbilhotando a vida do professor. Estou me adaptando a isso ainda e essa transição que é chata. Enfim, terei de conviver com isso.

Gosto dos alunos e estou aproveitando o momento na nova profissão, não digo o contrário. Quer saber? Vou publicar mesmo. O que é escrito é para ser publicado. Vou escrever ainda mais e pronto. Quem sabe eles sejam meu público leitor? O prof sempre é referência em algo e posso me usar disso para ter algo de audiência. O único período que alguém me lia era quando eu escrevia memórias adolescentes. Não tenho mais paciência para isso, mas posso escrever umas memórias pseudoadultas agora. Assim o farei.

Ah, mudei totalmente, os fios de cobre talvez nem deva mais existir. Vou manter o nome, não tenho outro, e seria complicado começar outra coisa do zero. Não tenho mais tempo. Os vinte minutos que me dedico à escrita já é o bastante. Volto a escrever mais pelo hábito que por conteúdo. E acho que só tem conteúdo quem tem o hábito de sempre escrever.
Você, leitor, lerá aqui alguns causos de minha vida e algum causo como professor que valha ser lembrado. Darei publicidade a tudo. Até logo mais!


PS: Se estiver se perguntando o que ensino, respondo: português e literatura brasileira. Poderia escrever melhor, eu sei, mas estou cansado de ficar sempre travando os dedos, pensando nas melhores palavras, no encaixe e na formação dos períodos, nas conjunções etc. Quero despejar rapidinho. Você entendeu. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

2014

O retorno de quem não mais escrevia... O presente momento em muito difere das vagas e remotas (nem tanto assim) épocas em que escrevia neste espaço. A nova fase inclui muita coisa que repudiava, execrava. A vida ensina e o homem se adapta a ela, naquele evolucionismo forçado que tentamos (sem sucesso) driblar, mas não conseguimos.

O suor e esforço mais presentes agora que outrora são evidentes e mostram o quantum de mudança, uma vez que não mais dispendia tempo em prol de causa desse tipo. Nunca fiz nada em que não acreditasse por conta de contrapartida confortável. A recompensa muitas vezes nos trai de uma forma que não mais conheçamos a nós mesmos. Os livros largados e as leituras escassas evidenciam um contrapeso presente, um tempo divido e a luta para manter o pouco de conhecimento que ainda resta. Quem sabe um pouco de Machado nas férias? Há quanto tempo não leio um livro dele. Em outras épocas, um livro de sua autoria já foi meu predileto, e ainda é, no entanto traí a literatura como um covarde em busca de conforto. No presente momento, sinto que as mais incisivas e afiadas ironias machadianas aplicam-se a mim. Vou voltar à literatura, prometo. E com mais poesia, se possível.

O trato nas relações agora é diferente. Não mais sob profundidade ou indiferença esclarecida; mas sob uma profundidade verdadeira em pouquíssimos casos, e uma superficialidade sórdida em outras. Quando paro para pensar me dou conta do que tenho feito e de quanto todos nós vivemos nesta superficialidade. Pessoas verdadeiras e relações forjadas; desmistificadas na primeira oportunidade, jogadas ao céu por um conjunto pequeno de palavras. Superficial.

Apesar dos motivos que me levam a reclamar, minha passagem tem sido muito boa. O lado bom disso tudo é que, em meio a menos reflexões, concluo menos, sinto menos: acabo vivendo no modo automático. A vodka muitas vezes tem sido aliada no combate às asneiras alheias, como um antídoto para a estupidez. Mantenho-me em pé, nunca fui de cair...

Visando novos horizontes em relação a algumas coisas (as pessoas são mesmo complicadas); as ligações muitas vezes são mais frágeis que se pensa. Não quero estar do lado fraco quando a corda quebrar; o leitor vai me perdoar, mas não sofro do coitadismo d’O Vencedor. Aliás, detesto a mencionada canção e o fracasso, para mim, não tem o gosto doce da maçã. Chega dessa filosofia capenga, chega desse homem fraco e herói; não aguento mais a profanação de tanta mediocridade.
Quebro o texto neste parágrafo e, fazendo uma retrospectiva do texto, vejo que fui vago. Que seja. Já é.