Apesar de usar esse meu espaço pra relatar um pouco de pensamentos e críticas, mantenho ele aberto a discussões e relatos pessoais, uma vez que o blog é meu e faço o que quiser.
Bem, me encontro em uma cidade pernambucana de nome Belo Jardim, terra de cabra-macho e procedência do meu pai, Paulo Rogério. Venho aqui passar as férias perto de uma banda da família que, apesar de não haver contato intenso, tenho muito apresso.
Mas existe certa particularidade nessa terra, o fato de os amigos muitas vezes se tratarem como irmãos e a certeza de que ali existe sentimento muito nobre. Essa certeza me faz bem e alimenta em mim uma esperança de que terei amigos desse tipo. Essa fraternidade fica comprovada quando todos se misturam pra degustar uma lapada de cana com uma banda de limão, ao som de algum forró tradicional da região. Terra do “visse”, do “oxente”, do “tá com a peste”, da “febre do rato”, e terra onde loiro é chamado de “galego”.
Interessante foi dia desses, estávamos comendo um peixe assado e começou a discussão acerca de política. Todos se puseram a favor de sua causa e uma em especial me chamou bastante atenção. Meu avô, que faz oposição ferrenha a Lula e sua cambada (assim como ele chama), declara ser a favor de um golpe militar para que tenha fim essa onda de corrupção na qual tantos políticos surfam diariamente, minuto a minuto. Porém a minha surpresa morreu rápido, no mesmo momento em que levei em consideração o fato de ele ter seguido carreira militar. Aí sim tava explicado (rs).
Outra história que ouvi por aqui e que desejo compartilhar foi a de um pistoleiro. Aliás, a história de um conhecido que sofreu quatro disparos a queima roupa enquanto tomava a sua caninha acompanhada de um queijo-de-manteiga pra tirar o gosto. O homem, que tem suas desavenças na cidade, sobreviveu. Agora eu já sei como é por aqui, os cabras geralmente resolvem dessa forma seus conflitos.
O clima é frio (nessa época do ano) contrasta com a animação do povo que comemora a Redenção ou Festa das Marocas, como alguns costumam chamar. Mas nem vou me demorar explicando o porquê do nome e como surgiu a festa, disso já tem muito por aí na internet. Digo só que o povo gosta de cana, forró e churrasquinho de frango com bacon (que eu ainda não encontrei no Ceará).
Quem sabe eu não arrisco a UFPE?
Ai que massa! Quase morro de rir.. Você falou do seu avô e eu lembrei que no ano passado participei da OBH (olimpíada de história) e uma das provas era entrevistar velhinhos e eu tive o imenso prazer de conhecer o Sr. Emanuel, o cara era muito massa, cheio de personalidade, sabe? Curioso é que ele também falou que o Brasil só entraria nos eixos caso voltassem com a ditadura militar, mas ele não era militar, era só um agricultor que tinha ido construir Brasília. Adoro conhecer e conversar com pessoas velhas, elas sempre tem muito a falar... Qualquer dia desses tenho que voltar ao abrigo (lar do Sr. Emanuel) para aprender um pouco mais.
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