sábado, 1 de setembro de 2012

Quem sabe?

Não sei muito bem o que tem me dado, mas o fato é que ultimamente ando a escrever poemas. A palavra poema me angustia um pouco, ela tem um peso que já deixa intrínseco que quem vos escreve é um poeta. Longe disso! Nem gosto de me taxar assim. Ao escrever poemas tortos em linhas tortas com rimas tortas, preferiria se fosse chamado de aspirante à poesia, ou aspirante a poeta. Nunca um poeta em si. São poucos poetas os que admiro, e quero me ver longe de formalidades neoclássicas e neoparnasianas. Às vezes é bom dar um chega pra lá no ‘certinho’ e escrever algo sem muito ‘conteúdo’. Isso se chama liberdade poética, viu?! (risos)

Em duas semanas nas mesmas aulas me deu uns tiliquetiques. Tive que vomitar. (Nossa, que palavra feia. Meus leitores não estão acostumados a isso, estão?) (Vou abrir esses outros parênteses para dizer que não sei se é certo pontuar dentro dos parênteses, ok?). Bem, digamos que eu tive que por para fora. Quando dá os tiliquetique você tem que escrever e expor, de preferência. A exposição é voluntária, mas tem muita gente por aí que escreve muito bem e não expõe. A minha dica é essa: sempre vai ter alguma pessoa mais ridícula que você para escrever uma bobagem maior! (É que as pessoas às vezes se acanham demais). Aconteça!

Eu diria até que esses tiliquetiques me deram certo alívio. Sempre que penso no mundo e escrevo o que penso, não só penso como carrego o peso do pensamento reflexivo. Às vezes o mundo pesa nas suas costas que, de uma forma totalmente indireta, você sente dor do que tem em vista e dos absurdos que tem de conviver. Vou parar, falar demais em absurdos desperta um outro eu, um ser mais preocupado e menos poético (lá vem eu falar em poesia de novo). Escrevo nessa tarde de sábado mais para descontrair que para qualquer outra coisa.

Falo demasiadamente dos textos e não vos apresento nada. Bem, eles estão em meus cadernos que deveriam estar ocupados com outras coisas (leia-se sociologia jurídica). Fico na aula de sociologia ouvindo o professor repetir conceitos e às vezes bate a vontade súbita, a inspiração. Olho para o lado (os galhos lá fora se mexem e contém todo o vento que insiste em não entrar na minha sala de aula), olho para o professor. Penso: vou escrever um pouco. A partir de então saem naturalmente meus versos feios e desajeitados. São desajeitados mesmo, mas são MEUS. Contemplo a poesia alheia e sei criar a que posso. Faço o que posso e escrevo como posso. Quem sabe um dia não aprimore a idéia? “Quem sabe” é a única expressão que quero guardar, a poesia não surge por obrigação, ela é feita do “quem sabe”. Quem sabe não escrevo outrora poemas bonitos e regulares? É bem mais fácil sair dessa forma que se importunar a cabeça com obrigações. A obrigação só vai até onde vai o desejo, objetivo.

Quem sabe um dia faço uma compilação doas rimas mal-feitas e publico aqui?

Nenhum comentário:

Postar um comentário