Depois de acordar, ele só queria saber o que fazer
no tal dia. É que tentara fazer tudo, mas o pouco tem muita força. As forças
dele se viam ameaçadas por uma banalidade, pela vida. Possibilidades o
assustam. Aquele menino começava a sentir mais que antes, porém esses
sentimentos não são tão bons quanto ele queria. Ele queria sentir outra coisa,
a sensação de eternidade talvez. A sensação de que tanta coisa que se vive
junto não evaporasse assim... De tanta esperteza, o menino agora precisa de
palavras alheias para descrever a si próprio.
Levantou-se, foi ao espelho. Olhos no fundo de seus
próprios olhos... São profundos e escondem muita coisa, pensou. A noite
anterior tinha sido boa. Melancólica talvez, mas boa. O garoto bebera muito, no
fundo ele sabia que tinha um bom motivo. Virou-se para um pequeno barulho. Era
uma gatinha passando. Voltou a olhar no espelho, aquele espelho poderia dizer
muito sobre ele, mostrar talvez. Um espelho resguarda muitas imagens e se
multiplicarmos por mil, teremos uma vidinha escrita e mostrada.
Naquela manhã não tivera fome, era como se seu
organismo inteiro se concentrasse nos pensamentos, ora positivos, ora
pessimistas. O pessimismo nos alerta e nos seduz, depois nos trai e nos joga em
pensamentos inúteis. Seria mesmo inútil toda essa preocupação que afligia a
cabeça do garoto? Fosse o que fosse, ele não quer julgamentos agora. O que
pensou ou deixou de pensar cabe somente a ele, aos seus olhos profundos e aos
dedos compridos que tratam de registrar tudo em letras. A grandiosidade dos
textos é pura vaidade. Afinal, resumiríamos os mais profundos sentimentos em
uma simples frase. Estou com medo.
Medo do que não aconteceu. Saudade do que pode vir a
acontecer. Ânsia de viver. Viver junto.
Encerro...
Nenhum comentário:
Postar um comentário