domingo, 23 de setembro de 2012

Saudade do que ainda não vivi.


Depois de acordar, ele só queria saber o que fazer no tal dia. É que tentara fazer tudo, mas o pouco tem muita força. As forças dele se viam ameaçadas por uma banalidade, pela vida. Possibilidades o assustam. Aquele menino começava a sentir mais que antes, porém esses sentimentos não são tão bons quanto ele queria. Ele queria sentir outra coisa, a sensação de eternidade talvez. A sensação de que tanta coisa que se vive junto não evaporasse assim... De tanta esperteza, o menino agora precisa de palavras alheias para descrever a si próprio.

Levantou-se, foi ao espelho. Olhos no fundo de seus próprios olhos... São profundos e escondem muita coisa, pensou. A noite anterior tinha sido boa. Melancólica talvez, mas boa. O garoto bebera muito, no fundo ele sabia que tinha um bom motivo. Virou-se para um pequeno barulho. Era uma gatinha passando. Voltou a olhar no espelho, aquele espelho poderia dizer muito sobre ele, mostrar talvez. Um espelho resguarda muitas imagens e se multiplicarmos por mil, teremos uma vidinha escrita e mostrada.

Naquela manhã não tivera fome, era como se seu organismo inteiro se concentrasse nos pensamentos, ora positivos, ora pessimistas. O pessimismo nos alerta e nos seduz, depois nos trai e nos joga em pensamentos inúteis. Seria mesmo inútil toda essa preocupação que afligia a cabeça do garoto? Fosse o que fosse, ele não quer julgamentos agora. O que pensou ou deixou de pensar cabe somente a ele, aos seus olhos profundos e aos dedos compridos que tratam de registrar tudo em letras. A grandiosidade dos textos é pura vaidade. Afinal, resumiríamos os mais profundos sentimentos em uma simples frase. Estou com medo.

Medo do que não aconteceu. Saudade do que pode vir a acontecer. Ânsia de viver. Viver junto.
Encerro...

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